neurologia e imunologia
atualizado em:
06/04/2010
 


Polimorfismo de CCR5 E Evolução Clínica Esclerose Múltipla

Damacio Ramon Kaimen Maciel

1-Em fins da década de 60 observou-se que os linfócitos T ativados secretam linfocinas que possuem uma atividade quimioatraente muito potente de monócitos e neutrófilos. Desde então já se descreveram mais de 35 dessas citocinas quimioatraentes ou quimiocinas. A maioria são peptídeos pequenos com peso molecular que variam de 8000 a 16000 e compartem de 20 a 27% da seqüência de aminoácidos com alguma outra quimiocina (Oppenheim & Horuk 2002).

Quase todos os tipos de células possuem a capacidade para produzir uma ou mais quimiocinas. Tal como outras citocinas, as quimiocinas são multifuncionais.  Elas regulam não  somente a quimiotaxia, mas também a adesão, degranulação, angiogênese, desenvolvimento de células imunes e hematopoiéticas, assim como a gêneses de órgãos linfóides. De acordo com suas funções dentro da fisiologia normal e defesa do hospedeiro, as quimiocinas também participam em um grande número de transtornos infamatórios ou auto-imunes, incluindo MS, artrite reumatóide, asma, e rejeição de transplante de órgãos e outros.
A nomenclatura das quimiocinas ainda não está totalmente padronizada. A primeira  quimiocina descoberta se dominou interleucina-8 (IL-8).

2-CLASSIFICAÇÃO DAS quimiocinas DE ACORDO COM A NOVA NOMENCLATURA (Bajetto et al, 2002; Zlotnik, Yoshie, 2000)

NOME ANTIGO

NOME NOVO

RECEPTORES

MCP-1, Proteínas quimioatraentes de monócitos 1

CCL2

CCR2

MIP-1a, Proteína inflamatória de macrófagos 1 a

CCL3

CCR1, CCR3, CCR5

MIP-1b, Proteína inflamatória de macrófagos 1 b

CCL4

CCR5

RANTES, quimiocinas Reguladas sob Ativação Normalmente Expressada e Secretada por células T

CCL5

CCR1, CCR3, CCR5

Linfotactina a

XCL1

XCR1

Linfotactina b

XCL2

XCR1

Fractalcina

CX3CL1

CX3CR1

IP10 – Proteina induzível por Interferon a

CXCL10

CXXR3


3-A maioria das quimiocinas CC são proinflamatórias e produzem seus efeitos através de combinações diversas de cinco receptores diferentes (CCR1, CCR2, CCR3 CCR5 e CCR8) localizados nas células T ativadas, células dendríticas imaturas e outros tipos celulares mononucleares. As quimiocinas CC proinflamatórias (incluem RANTES – regulada por ativação expressa e secretada por células T normais; MIP-1α – proteína inflamatória de macrófagos; MIP-1a, MCP-2b, TARC e outras) geralmente promovem a inflamação crônica e respostas imunes adquiridas. A quimiocina RANTES, por exemplo, de maneira preferencial atrai células T de memória ativadas, já que essas células expressam seus três receptores (CCR1, CCR3 e CCR5); é por isso que inibidores experimentais, quer sejam de RANTES quer sejam de CCR1 retardam notavelmente a progressão da artrite autoimune em modelos animais ao inibir a infiltração de macrófagos e células T nas articulações. A MIP-1a, a qual utiliza os mesmo três receptores que RANTES, tem se implicado em respostas imunes pulmonares crônicas, como aquelas observadas na infecção pelo vírus da gripe ou da esquistossomose. Algumas quimiocinas CC tendem a favorecer as respostas de TH1 ou TH2, refletindo assim diferenças na expressão de receptores; I-309, por exemplo, utiliza o receptor CCR8, o qual se expressa de maneira predominante nas células TH2 (citocinas IL10 e TNF em TH1 e TH2).

4-Polimorfismos nos genes que codificam as quimiocinas e citocinas e seus receptores têm sido propostos para conferir susceptibilidade ou proteção na EM, embora as evidências ainda não sejam definitivas. Entre os polimorfismos que apresentaram associação com a proteção para a EM incluem o receptor de quimiocina CCR2 (MCP-1 a 4) e o receptor a da interleucina (IL)-10 (CXCR3). Outros foram associados com maior risco para a EM, como o receptor de quimiocina CCR5, receptor b de IL-2 e Interferon-g (IFN-g) (Sospedra & Martin, 2005).

5-Polimorfismos em quimiocinas ou seus receptores têm sido associados com susceptibilidade ou resistência a várias doenças ou às suas variáveis clínicas como MS. É importante destacar alguns aspectos considerados como pontos chave, quais sejam:
  • quimiocinas e seus receptores controlam o tráfico de linfócitos patológicos e fisiológicos pertinentes à continuidade do processo inflamatório na MS;
  • Polimorfismos nos genes da quimiocina não estão associados com a resistência à MS, mas o polimorfismo CCR5 Δ 32 está associado com a menor atividade da doença, com um retardo de início da manifestação clínica da doença e com uma evolução mais lenta da enfermidade, demorando muito mais a se chegar a uma incapacidade;
  • Os receptores de quimiocinas CCR1, CCR2, CCR5 e CXCR3 são alvos possíveis para terapia futura da MS por diminuir a atividade da doença;
  • Estudos clínicos de terapia de receptores de citocinas - quimiocinas em pacientes com MS são esperados em breve.
  • A mutação CCR5-D32 ocasiona a codificação de um receptor não funcional que tem sido associado com uma diminuição da severidade da EM.
  • Estudos sobre polimorfismos das quimiocinas têm demonstrado que o alelo CCR5Δ32 não está protegido contra a MS, mas pode retardar o início da doença e sua progressão (Gonsette, 2004).
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