neurologia e imunologia
atualizado em:
30/08/2008

 

 

Perspectivas futuras no tratamento da Esclerose Múltipla

Novos tratamentos comentados no Sexagésimo Congresso da Academia Americana de  Neurologia em Chicago

Elizabeth Regina Comini Frota.

            

A Esclerose Múltipla é a grande estrela do momento na Neuroimunologia. Desde o final da década de oitenta, com o avanço da Ressonância Magnética e no início dos anos noventa ao se iniciarem  os tratamentos com interferons e acetato de glatiramer, as pesquisas em Esclerose Multipla estão muito incrementadas. Cada vez mais pacientes são diagnosticados e cada vez mais cedo. Os medicamentos que estão em uso conseguem controlar a primeira fase da doença, a inflamação, parcialmente. Hoje além de se buscar os genes que podem determinar a doença, os fatores ambientais que influenciam estes genes, busca-se também novos medicamentos com mecanismos de ação mais abrangentes do que o controle da inflamação, e também possibilidades de regeneração das células produtoras de mielina e dos próprios neurônios lesados.

Alguns medicamentos estão sendo pesquisados no momento e serão dentro de poucos anos os prováveis substitutos para os tratamentos atuais.

Os tratamentos por via oral já são uma realidade. São eles: o FTY720, Cladribina,Teriflunomide, Laquinimode, Tensilorimus e Ácido Fumárico. Os dois primeiros estão no momento em estudos de fase três, isto é, estão sendo usados em ensaios clínicos, em mais de mil pacientes, em vários centros, comparando-se a eficácia do medicamento com placebo e numa segunda fase, com interferons. Ambos estão demostrando eficácia no controle da inflamação. Possivelmente no final de 2009, com os resultados destes estudos, estes dois medicamentos poderão ser comercializados.

Drogas que estão sendo usadas em outras doenças auto-imunes começaram a ser testadas na EM, como por exemplo o Rituximab, anticorpo monoclonal que vem sendo usado em Artrite Reumatóide, entrou recentemente em ensaio clínico para ser usado em formas que não respondem a outros medicamentos. O Alemtuzumab, também um anticorpo monoclonal, usado em Leucemia Mieloide Crônica, também está sendo testado. Um anticorpo monoclonal que já está no mercado americano e europeu, aprovado pelos respectivos comitês de aprovação de medicamentos é o Natalizumab, anticorpo monoclonal desenvolvido para uso na EM e na Doença de Chron. Este medicamento já passou em estudos clinicos de fase três, e já foi usado em muitos pacientes com resultados positivos no controle da inflamação. Estes medicamentos tem efeitos colaterais como todas os medicamentos que interferem no Sistema Imune, e cada um precisa ser meticulosamente pesado para pacientes específicos.

Fatores de neuroproteção, isto é substâncias que atuam como protetoras impedindo a destruição de neurônios estão sendo pesuqisados, são eles: CTNF, LIF, NMSC, BDNF. São produzidos naturalmente no Sistema Nervoso Central, para impedir a destruição de neurônios. Estimuladas estas substâncias poderiam desempenhar um papel no controle da fase degenerativa da doença.

Parece que os medicamentos atuais continuarão ainda por algum tempo, a ciência não anda em saltos, não pula etapas, novos medicamentos precisam ser eficientemente testados em estudos controlados. Estes estudos evoluem graças ao trabalho incessante de inúmeras pessoas anônimas nos seus laboratórios, debruçadas sobre os conhecimentos atuais da doença tentando dar mais um passo, pequeno que seja na busca de um medicamento cada vez mais eficaz.

Declaração: As drogas citadas neste artigo estão com seus nomes farmacêuticos. A autora não tem vínculo e não recebe  compensação pessoal dos laboratórios que as produzem.

 


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