neurologia e imunologia
atualizado em:
06/04/2010

 

Mielite

Doralina G. Brum  Souza


A medula espinhal (ME) é constituída por feixes de fibras nervosas. Esses feixes constituem os tratos longos sensitivos e motores, que conectam o encéfalo aos nervos dos membros e do tronco. Levar e trazer informações do e para o encéfalo representa função importante desses tratos. Inflamação na medula pode resultar em fraqueza, parestesia, formigamento e dormência dos membros, além de retenção ou urgência urinária e fecal. Dor de origem medular também pode ocorrer. Com apreciável freqüência, há diminuição ou ausência das sensações de dor, calor, frio, tátil, a partir de um nível do tronco. No exame neurológico pode ser identificada fraqueza de um ou mais membros, acompanhada ou não de espasticidade – uma espécie de rigidez que envolve principalmente os membros - na dependência do local da lesão na medula espinhal. Os sinais e sintomas dependem do nível e da extensão do comprometimento dos diferentes tratos longos da medula espinhal. A instalação pode ser aguda ou progressiva. A gravidade é variável. Ocorre em crianças e adultos. De modo inespecífico, utiliza-se o termo mielite ou mielopatia inflamatória, em referência a essas inflamações. O termo não faz distinção entre as mielites causadas por invasão direta dos agentes infecciosos, das causadas por processos pós-infecciosos ou para-infecciosos. Entre os agentes infecciosos, os vírus são os mais freqüentemente implicados. O Brasil é um país endêmico para esquistossomose, tuberculose e doenças fúngicas. Tais doenças podem provocar mielopatias inflamatórias. A importância de serem feitos tais diagnósticos se deve à possibilidade de ser realizado o tratamento específico.

Mielite transversa (MT) é uma síndrome clínica na qual a lesão da ME é conseqüência de um mecanismo imune mediado. MT também pode ocorrer em associação com processos pós-infecciosos e ser pós-vacinal. Outras condições são mencionadas a seguir.

1. Mielite transversa associada a doença multifocal do sistema nervoso central (SNC)
É comum um episódio de mielite ser o primeiro evento da neuromielite óptica (NMO) de Devic ou esclerose múltipla (EM). O tamanho das lesões na ME pode auxiliar na definição do diagnóstico. Pequenas lesões (Fig.1), afetando a substância branca da ME, tendem a ocorrer em pessoas com risco para desenvolver esclerose múltipla (EM). Lesão (Fig.2) compreendendo a extensão três ou mais vértebras, pode ser manifestação do primeiro episódio da neuromielite óptica (NMO). Expandir a realização de RM, incluindo imagem do encéfalo pode se associar à detecção de lesões silenciosas, freqüentes na EM. A pesquisa de anticorpo anti-aquaporina-4 (anti NMO-IgG) deve ser realizada em pacientes com mielite transversa associada a lesão medular extensa.

 2. Mielite transversa associada a doenças sistêmicas
 Entre as doenças sistêmicas o lúpus eritematoso sistêmico (LES), a síndrome dos anticorpos anti-fosfolípidios (SAF), a síndrome de Sjöegren e a sarcoidose podem se associar à MT.

3. Mielite transversa idiopática
MT idiopática é a denominação para os casos sem causa definida. Esses ocorrem na freqüência de pelo menos 16%.
Dados clínicos, extensa pesquisa de agentes infecciosos, o padrão do líquido cefalorraquidiano e da ressonância magnética da medula espinhal e do encéfalo, devem ser levados em consideração no diagnóstico diferencial das mielites.

Referências

  1. Transverse Myelitis Consortium Working Group – neurology 2002, 59: 499-505
  2. Vanda A Lennon, Dean Wingerchuck, thomaz J. Kryzer, Sean J. Pittock, Claudia F. Lucchinetti, Kazuo Fujihara, Ichiro Nakashima, Brian G. Weinshenkker . A serum autoantibody marker of neuromyelitis optica:distinction from multiple sclerosis. Lancet 2004; 364:2106-12
  3. José Correia de Faria Brito, Paulo Virgolino da Nóbrega. Mielopatias: considerações clínicas e aspectos etiológicos. Arq. Neuro-Psiquiatr. v.61 n.3B  São Paulo sep. 2003.

 

Copyright 2007 © Grupo Brasileiro NeuroImunologia - Todos os Direitos Reservados
design by biosphera