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Aspectos gerais
A
polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica (PDIC) é uma entidade nosológica com
critérios clínicos, eletrofisiológicos e histológicos bem definidos. Trata-se
de polineuropatia com progressão de dois meses ou mais, que envolve os membros,
proximal e distalmente, com achados eletroneuromiográficos indicativos de
desmielinização multifocal dos nervos somáticos e, em parte dos casos, pode ser
documentada através de biópsia de nervo. Trata-se de doença considerada rara -
admitindo-se como rara a doença com incidência de 1 caso ou menos a cada 200
000 habitantes/ano.
1.2 Eletroneuromiografia
Do ponto de vista eletrofisiológico, há
diferentes propostas para o diagnóstico. Podem-se utilizar, por exemplo, os
critérios de Albers e cols. Podem ser considerados apropriados para o
diagnóstico eletrofisiológico (eletroneuromiográfico) de neuropatia
desmielinizante.
Em pelo menos
dois dos nervos estudados:
• Velocidade de condução (em metros por
segundo (m/s)):
- abaixo de 95%
do limite da normalidade (LIN) se a amplitude for > que 50% do LIN
- abaixo de 85%
do LIN se a amplitude for < que 50% do LIN
• Latência distal em m/s
- acima de 110%
do limite superior da normalidade (LSN) se a amplitude for normal
- acima de 120%
do LSN se a amplitude for < que a normal
• Dispersão temporal (distal-proximal):
- aumento na
duração de 30%
• Bloqueio de condução
(distal-proximal):
- medida de
amplitude < 0,7
• Latência da onda F:
- maior que 120%
Albers
JW, Kelly JJ Jr. Acquired inflammatory demyelinating polyneuropathies:
clinical and electrodiagnostic features. Muscle Nerve. 1989;12(6):435-51.
1.3 Patologia
A
patologia da PCID é caracterizada pelo achado de desmielinização e remielinização, associadas à presença de macrófagos entre os processos
de células de Schwann, com preservação dos axônios, associados ou não a infiltrados
inflamatórios endoneurais. A desmielinização e
remielinização conduzem à constituição de bulbos de cebola, podendo
haver perda axonal em maior ou menor intensidade. Quanto maior a perda a
axonal, maior a chance de ocorrerem seqüelas definitivas .
1.4 Doenças
sistêmicas que podem se associar à PDIC
Tireotoxicose |
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Síndrome de
Crow-Fukase |
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|
Síndrome da
imunodeficiência adquirida |
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Gamopatias
monoclonais de significado incerto |
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|
Gamopatia
monoclonal |
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Doenças do colágeno |
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Desmielinização do
sistema nervoso central |
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Hepatite C |
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Doença inflamatório
do intestino |
|
Doença de Hodgkin |
| |
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|
Doenças do tecido
conjuntivo |
|
Linfoma |
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|
Transplantes de
órgãos e da medula óssea |
|
Doença de Castleman |
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Síndrome nefrótica |
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Diabetes-mellitus |
| |
|
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Mieloma
osteoclerótico |
|
Neuropatia
sensitivo-motora hereditária |
1.5 Patogenia
e Fisiopatologia
Há
apreciável conjunto de evidências a sugerir que a sua base seja imunológica,
particularmente pela resposta terapêutica favorável obtida com o uso de
imunossupressores e imunomoduladores.
1.6 Aspectos
clínicos e evolutivos
· Evolução contínua
· Evolução recorrente
Do
ponto de vista evolutivo, há formas de evolução contínua, outras, à semelhança
da esclerose múltipla, recorrentes. Considera-se que apenas 1/3 dos casos possa
evoluir sem agravamento na ausência de tratamento.
1.7 Tratamento
As
alternativas terapêuticas, cujas eficácias foram comprovadas através de estudos
prospectivos, controlados e randomizados, incluem corticosteróides e
imunoglobulina humana endovenosa em altas doses, eventualmente plasmaférese .
Ciclofosfamida e ciclosporina poderiam ser eficazes.
IgIV é superior a corticosteróides mas, levando em consideração o alto
custo, esses são considerados de primeira escolha .